Quem olha de fora vê atletas, uniformes, tabelas, disputas, medalhas, fotos de pódio, abraços na chegada e delegações reunidas. Vê um grande evento esportivo, organizado para aposentados e pensionistas da Caixa de todo o país. E isso, por si só, já seria importante. Mas quem escuta os personagens dessa história percebe que os Jogos FENACEF são muito mais do que uma competição. Eles são um encontro com a vida.

Não aquela vida idealizada, perfeita, editada para parecer sempre bonita. Mas a vida real, feita de corpo, limite, memória, desejo, amizade, esforço, reencontro e sentido. A vida que, em algum momento, pergunta a cada um de nós o que ainda nos move.

E talvez seja essa a pergunta silenciosa que os Jogos fazem a cada atleta: O que ainda faz seu corpo querer movimento? O que ainda faz seus olhos brilharem? O que ainda dá vontade de preparar a mala, vestir a camisa da delegação, encontrar pessoas, disputar uma prova e voltar no ano seguinte?

A resposta não é igual para todos. Para alguns, está na medalha. Para muitos, nos reencontros. No sorriso que precede a largada e que emociona na chegada. Na poesia escrita por quem entendeu que o esporte também alimenta algo que não se mede em tempo, distância ou placar.

O que fica quando a prova termina

Toda competição tem um resultado. Alguém vence, alguém chega depois, alguém promete treinar mais para o próximo ano. Mas, nos Jogos FENACEF, existe uma vitória que não aparece na classificação.

Ela aparece quando um atleta de 80 anos transforma sua rotina de treino em inspiração para os filhos e netos. Quando uma corredora sorri como se cada quilômetro fosse também uma forma de dizer “estou aqui”. Quando duas jogadoras de vôlei falam do reencontro com a naturalidade de quem sabe que certas amizades sustentam a vida. Quando um ex-empregado da Caixa descobre, depois da aposentadoria, que ainda pode construir novas rotinas, novos vínculos e uma saúde melhor.

Nos Jogos FENACEF, muitos encontram essa forma. Não como uma tentativa de repetir o passado, mas como uma maneira de viver o presente com verdadeiros propósitos.

Euton Freitas de Castro

Euton Freitas de Castro chegou aos 80 anos com cinco medalhas de ouro nos Jogos FENACEF 2026. Venceu na natação e na corrida. Mas a imagem mais forte de sua história talvez não esteja apenas no pódio. Está no gesto de pedir aos filhos, como presente de aniversário de 80 anos, que corressem com ele 5 km por mês. O esporte, em sua vida, deixou de ser apenas disciplina pessoal. Virou uma ponte entre gerações. Quando Euton diz que os Jogos não são só medalha, ele está dizendo algo maior: a vitória mais importante talvez seja seguir tendo com quem dividir o caminho.

“Não é só a medalha. É vir, participar e me encontrar com essa turma toda muito boa da Caixa Econômica.”

Tutae Satomi

Tutae Satomi corre sorrindo. E esse detalhe, que poderia parecer simples, diz muito. Seu sorriso não é acessório da prova. É parte da sua forma de estar no mundo. Com deficiência auditiva, ela acompanha a fala por leitura labial, mas sua presença comunica antes mesmo das palavras. Nos Jogos, Tutae mostra que o esporte também pode ser uma linguagem. Correr, para ela, é encontrar pessoas, conhecer lugares, sentir alegria, participar. É transformar o corpo em expressão e o sorriso em chegada.

“Sorrir muito. Rir é muito bom e faz bem para o coração.”


Arlene Maria e Elaine Teixeira

Entre treinos, partidas, torcida e a alegria de representar Brasília, elas revelam uma das dimensões mais bonitas do evento: a conexão que nasce quando o esporte deixa de ser apenas disputa e passa a ser encontro. Nos Jogos, a equipe não se forma só pela posição em quadra, mas pela convivência, pela confiança, pela expectativa de rever pessoas queridas e pela sensação de fazer parte de algo que continua vivo para além da competição.

“Aqui o mais importante é o reencontro.”
Arlene Maria

“Isso aqui é uma grande família.”
Elaine Teixeira


Adilson Antônio de Sousa

Adilson Antônio de Sousa encontrou no futebol society muito mais do que uma modalidade. Encontrou gente. Desde que começou a participar dos Jogos, em 2016, viu sua rede de amigos se espalhar pelo Brasil. Sua fala sobre a juventude que permanece dentro da gente não soa como negação da idade. Ao contrário. É uma afirmação madura de que envelhecer não precisa significar perder o desejo de brincar, competir, rir, provocar, torcer, encontrar e pertencer. O esporte, para Adilson, mantém acesa uma parte da vida que não deveria se apagar.

“A gente tem muita coisa de jovem dentro da gente. E isso não pode morrer.”


Ubiraci Rodrigues

Ubiraci Rodrigues talvez traduza uma das dimensões mais profundas dos Jogos. Ele começou a participar para reencontrar amigos e evitar o isolamento depois da aposentadoria. Mas, aos poucos, percebeu que aquilo estava mudando sua vida inteira. Passou a treinar, caminhar, fazer academia, cuidar da alimentação e acompanhar melhor a saúde. A aposentadoria, que poderia ser apenas uma saída do trabalho, tornou-se entrada em outra rotina. Ubiraci não fala dos Jogos como evento. Fala como marco. Um ponto de virada. Uma experiência que reorganizou seu modo de viver.

“Os Jogos mudaram a minha vida.”

Michiko Kuteken

Michiko Kuteken joga tênis desde os 23 anos. Poderia falar apenas da modalidade, da técnica, da permanência no esporte. Mas o que ela destaca são as amizades. O tênis a levou aos Jogos; os Jogos a levaram a pessoas. E essas pessoas ultrapassaram a semana da competição. Tornaram-se encontros fora dali, vínculos que permanecem, razões para continuar voltando. Para Michiko, o esporte aparece como continuidade. Não como algo que ficou para trás, mas como uma linha que atravessa décadas e ainda produz novos sentidos.

“O melhor são as amizades.”

Ana Girard de Almeida Sousa

Ana Girard começou a correr depois de acompanhar o marido em uma prova. O que a chamou não foi apenas a corrida em si, mas o ambiente, a alegria, a energia das pessoas. Aos 79 anos, Ana emociona pela disposição e pela coragem. Nos Jogos FENACEF, correu os 10 quilômetros e, logo em seguida, encarou também a prova de 3 quilômetros. Foram 13 quilômetros corridos, como ela mesma diz, “cansadinha”, mas com o orgulho de quem segue participando da vida com intensidade. Sua fala sobre os amigos não tem enfeite. Tem verdade. Ana sabe que a vida é maior quando é compartilhada. Porque, para ela, a corrida não é apenas sobre distância, é sobre continuar fazendo parte de algo que lhe traga alegria.

“A melhor coisa que a gente tem na vida são os amigos.”


Celida Correa Lauande

Celida Correa Lauande levou aos Jogos uma dimensão que nem sempre aparece nas competições: a palavra. Ao transformar a experiência em poesia, ela conseguiu dizer aquilo que muitos sentem ao vestir a camisa, reencontrar amigos e entrar novamente em jogo. Em seus versos, não importa a idade nem o tempo que passou, mas a chama da vida que permanece em cada atleta. É essa chama que faz o corpo se mover, a mente se abrir, o coração se emocionar e o jovem que ainda existe dentro de cada um voltar a sorrir. Para Celida, os Jogos são combustível, encontro e inspiração. Sua poesia encantou porque não falou apenas de esporte. Falou de vida, de coragem, de inclusão e da beleza de seguir participando com entusiasmo.

“O esporte fortalece a alma, corpo, mente e coração.”

Ivan Lúcio dos Santos

Ivan Lúcio dos Santos gosta de vencer. E isso é bonito também. Nos Jogos, há espaço para a competição verdadeira, para o atleta que treina, calcula tempo, disputa posição e quer chegar na frente. Mas Ivan mostra que vencer não diminui o valor do encontro. Pelo contrário. A vitória fica ainda maior quando vem acompanhada de pessoas queridas. Nesta edição, sua esposa também correu e subiu ao pódio. Aquilo que poderia ser apenas resultado individual tornou-se orgulho compartilhado. Ivan lembra que, quando alguém não vem, a ausência é sentida. Porque, nos Jogos, a falta de uma pessoa também pesa no placar afetivo de quem participa.

“Quando alguém não vem, a gente sente a ausência dele.”

Waldy das Chagas Gomes

Waldy das Chagas Gomes resume sua relação com o esporte de uma forma direta: é seu remédio. A frase é simples, mas carrega uma compreensão profunda. O esporte, para ele, não é passatempo. É cuidado. É energia. É saúde. É uma forma de manter o corpo em movimento e a vida em circulação. Waldy começou aos poucos, passou pela caminhada, chegou à corrida, ganhou resistência e confiança. Hoje olha para a própria evolução com orgulho.

O que antes parecia distante se tornou parte de quem ele é. Nos Jogos, encontra amigos, disputa, celebra e reafirma que seguir ativo também é uma escolha de vida.

“Meu remédio é o esporte.”

O verdadeiro legado

Ao falar de um grande evento, é natural que se olhe primeiro para aquilo que pode ser medido, ou seja, o número de atletas, as modalidades disputadas, as medalhas entregues, as delegações presentes, as fotos registradas, os resultados alcançados. Tudo isso ajuda a contar a dimensão dos Jogos FENACEF. Mas não explica, sozinho, o que faz tanta gente esperar por esse encontro, treinar durante o ano, atravessar o país e voltar para casa já pensando na próxima edição.

Cada personagem desta série encontrou nos Jogos uma resposta própria. Para Euton, a corrida se tornou também encontro de família. Para Tutae, o esporte ganhou a forma de um sorriso. Para Arlene Maria e Elaine Teixeira, a quadra renovou o sentido do reencontro. Para Adilson, os Jogos ampliaram amizades pelo Brasil. Para Ubiraci, mudaram a maneira de viver a aposentadoria. Para Michiko, prolongaram vínculos construídos ao longo de uma vida esportiva. Para Ana, abriram caminhos de amizade e alegria. Para Celida, viraram poesia. Para Ivan, uniram competição, vitória e família. Para Waldy, confirmaram o esporte como cuidado, saúde e remédio.

Nos Jogos FENACEF, o esporte é o caminho. Mas o que se encontra por meio dele é ainda maior: o corpo que se fortalece, a alma que se alimenta, a vida que reencontra propósito e o desejo de continuar jogando o próprio jogo.
Essa é a essência de Jogos da Vida.

Confira, a seguir, mais algumas imagens dos personagens que inspiram esta série especial. E acompanhe também a AEPA no Instagram, em https://www.instagram.com/apea.sp, onde essas histórias serão contadas em vídeo, com os rostos, as vozes e a emoção de quem viveu os Jogos FENACEF muito além das medalhas.